Pular para o conteúdo principal

Insônia*

Não conseguia dormir... 
tudo me despertava, tudo me assustava. 
Depois de horas de insônia... 
A mente mais sã, se torna insana. 

Em meu quarto ouvi,
um tilintar bastante agudo,
assustado levantei
por todo o cômodo busquei... encontrei... 
era minha calça boca de sino, 
que ao vento balançava,
em cima do criado mudo. 

Me deitei novamente, e de repente,
ouvi um estrondo... e num giro,
assustado levantei
por todo o cômodo busquei... encontrei...
era minha bota cano curto, 
que o vento derrubou, 
disparando um tiro. 

Uma calça que tilintava, 
uma bota que atirava, 
só podia ser coisa da minha mente... 

O delírio aumentava, 
vi o jacaré da minha camiseta do pantanal 
nadar no azul piscina da minha camisa social... 
estava demente. 

Rapidamente... 
fechei a janela para evitar o vento, 
juntei todas as roupas e pus no assento, e deitei novamente. 
 De repente... mais uma vez o silêncio foi interrompido, 
por um som diferente, um forte gemido... 
de prazer... não era dor 
Destemido... me tranquilizei
ao constatar que era a porta que dava para o corredor! 

Ainda sem sono, voltei pra cama. 

Elvis Almeida * Este texto foi baseado numa anedota bem antiga ouvida na infância (desconheço a autoria, quando descobrir farei os devidos créditos), que transformei em versos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 livros de leitura "obrigatória"! (apenas literários)

Todo mundo já viu/leu listas de livros "pra ler antes de morrer"... listas com 10, 20, 50, 100 e muito mais... Conversando com amigos cheguei a conclusão de que eu deveria fazer minha própria lista... serei modesto (ou não... hehehe) e vou começar apenas com 10 livros. E como qualquer lista, esta também está carregada com o subjetivismo de quem a fez... certamente você deve ter lido ótimos livros que não foram citados... e talvez não concorde com a ordem dos livros que vou indicar... mas o que importa é divulgar bons livros para incentivar a leitura. A propósito, colabore com a postagem e deixe sua própria lista nos comentários. Vamos lá: 01. Edgar Allan Poe* -> Qualquer coletânea de contos (encontre uma que tenha os contos "Berenice" e "Crimes da Rua Morgue") 02. George Orwell -> 1984 (há quem prefira "Revolução dos Bichos") 03. Fiódor Dostoiévski -> O Jogador (há quem prefira "Crime e Castigo" ou "Os Irmãos Karamazov...

Teoria XVI - A difícil escolha entre cocô e bosta

Quem conheceu meu avô, Sr. Funico, conta que apesar de pouca instrução, era um sujeito muito sábio. Frequentemente era procurado por mais jovens, que buscavam aconselhamento sobre os mais diversos temas. Diz a lenda que quando dava seus conselhos, ele sempre aproveitava para emplacar um de seus brocardos, sendo que alguns chegavam a ser verdadeiras pérolas. Hoje falarei sobre um, que apesar de não ser o seu preferido, tem tudo a ver com o momento em que vivemos. Não é raro, diante da realidade fenomênica, termos apenas duas opções de escolha, seja em relação à um produto, um candidato nas eleições, um caminho a seguir... etc. Também não é raro, encontrarmos situações, que apesar de mais de uma opção, tudo não passa de "mais do mesmo". Melhor dizendo, nenhuma das alternativas é satisfatória. Ou todas são ruins, ou ainda que não inteiramente sofríveis, as escolhas sempre levarão a uma consequência indesejada. Nestas situações meu avô dizia: "Entre cocô e bosta, não...

Teoria X - A ignorância é atrevida!

O saudoso escritor lagopratense, meu padrinho na ACADELP (Academia Lagopratense de Letras), Silvério Rocha, repetia sempre o bordão: "a ignorância é atrevida!". Sábio brocardo este, pois afinal, quem não participa é quem critica. É quase privilégio dos " idiums ", dos mal informados, dos alheios aos fatos, a crítica sem moderação, exacerbada e sem fundamentos, ou seja, atrevida. Complementando a idéia do Silvério, aliás, mais que um complemento eu diria que é até o reverso de seu brocardo, podemos afirmar também que: "A erudição é arrogante!" Percebam que quanto mais o indivíduo se torna especialista em algum assunto, mais ele desconsidera aqueles que menos sabem do tema. Eis a diferença entre sábio e erudito. A linha que separa os dois é muito tênue. Ambos possuem vasto conhecimento, mas a maneira de utilizá-lo é bem distinta. O sábio jamais é arrogante, sabe dosar seu ímpeto para transmitir a informação sem ofender ou menosprezar o próximo. Sejamos menos...